Ocupantes


LUTA VIDEOFÁGICA NOMEIO DA URBE AVASSALADORA

CHAMA: (Ocupantes Contra a Mídia)

ESTADO ATUAL (personagens):

 

Lamartine – O Homem

Este fugiu da seca, retirante pernambucano, pra vender água no Sertão de carros da capital sulista. Em meio aos outdoors, incrustado na seara dos transeuntes, tece enleios de cordel com o copinho d’água, poço enclausurado pra fazer reai$, na mão oferecedora. Mata a sede. Beija a mulher, eles têm muitos herdeiros, transmitiram o legado da miséria, filhos da Prestes Maia, miséria de não ter paragem pra escorar o corpo.

Seqüência: singramos os faróis intermitentes. Copo d’água na mão. Momento do toque com o dono do carro, dinheiro pra lá água pra cá. Suor desce em bicas de cansaços pela testa, boca luta com versos de cordel pra não esturricar. Fuma-se o perfume dos escapamentos. Fim de dia, fim de jogo. Casa iminente no edifício imponente do povo impotente. Dá-se à filosofia de ocasião, o que é a luta diante das câmeras que lhes fogem à forja. Diz: O besouro sempre estará acompanhado de seu zumbido.

 

Jomarina – A Terra

Seqüência: faz comida e cheira a panela acrescendo ervas ao feijão... O fogo não se extingue e a comida não chega ao prato de cada boca...

 

Meire – A Atleta

Já tem onde morar. Desafia a inércia. Arregimenta os olhos, apaixonada pela tangente corpo. Deita-se ao bucólico. Corre pra não ser pega na curva. Exala disciplina. Que acha de fumar, que pensa da competição de ter que ganhar, dos amores furtivos e furtados, da veia da cidade estancada pelo trânsito, da mídia cancerígena, da vida transmutada em folclore, dos livros, dos edifícios em séqüito, dos subterrâneos e dos subterráqueos passageiros dependurados nos varais dos vagões estridentes do metrô?

 

Afla – A jornalista da Folha

Porque o poder é a casa dos refugiados do tempo irreversível...

 

Camila Antunes – A jornalista da Veja

A solução é derrubar.

Seqüência: o som das máquinas impossíveis demolindo o edifício Prestes Maia por infiltrações de onde se vê o caudaloso e bovino contingente cortejo cidadão.

 

Mariana – A jornalistartista do Centro de Mídia Independente

Vamos entregar as armas da alegoria, vamos ao teat(r)o, vamos saber que sou eu em meio ao saber universal da hedonista onipresença do estar em si... A vida é uma festa, hoje é dia de estrilar ridente a miséria do EU pros OUTROS SIS.

 

A Criança – O Menino com a Câmera

Ele vê tudo, ele lembrará todos, ele viverá pra morrer saudoso, ele terá criminoso, ele orgulhará ruidoso, ele esperançará dos olhos dos que se lhe aproximam, ele rirá pra si, ele migrará pra onde? O Menino com a Câmera vai parar pra quando, vai ponto de vista o que? Perde-se quando aquele que ele vê, e conta, morrer dos outros pra viver de si.  

  

 

Ocupantes Contra a Mídia

A resignação arregimenta mais que os sonhos ensangüentados
Embebe-se a camisa de cores rasgadas
Lumidescente flâmula festiva, tatuagem indiferente
Sacode à revelia do tráfego estancando a veia
Desinflado saco desenfreado frêmito
No teu olhar de já ter pra onde ir deitar

Prestes prestes ao despejo na favela
Monumento da privação impingida pelo PODER
Ninguém aqui pode, só padece das impossibilidades que vociferam caladas
Coladas à pele cindida em ofego
Rumo da civilização brasileira

 



Escrito por OEAL às 00h40
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